Doze Polegadas: Dez EPs de 2015

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Metade do caminho entre o single e o álbum, o EP voltou a despontar nos últimos anos graças não só ao aumento nas vendas de vinil como também a uma conscientização na distribuição digital: eis aqui um produto que funciona levando adiante as idéias de um single, rascunhando, preparando e atuando como plataforma para um disco e, no caso de lançamento posterior, complementando o mesmo – ou, na ausência destes, assumindo de fato o posto de um “mini LP”, o que o torna um formato bastante versátil e adaptável.
Evitando misturá-los com as músicas soltas e os discos, preparei uma lista dos EPs mais escutados por aqui em 2015:

 

Menções a:  Kelela – Hallucinogen, Mac Demarco – Another One, A Sunny Day In Glasgow – Planning Weed Like It’s Acid / Life is Loss, Metá Metá – EP, Beatrice Dillon – Face A/B, Clark – Flame Rave, Rabit – Baptizm, Annie – Endless Vacation, Panda Bear – Crosswords, Nicolas Jaar – Nymphs

 

10
10) Machinedrum – Movin’ Forward: A Tribute to DJ Rashad (Self Release)
Depois da morte de DJ Rashad, em 2014, Machinedrum coletou colaborações não finalizadas entre os dois e deu cabo delas, resultando num belo híbrido de quebra-canelas da Teklife com os sons mais graves e enfumaçados da Ninja Tune.

 

09
9) Sharon Van Etten – I Don’t Want to Let You Down (Jagjaguar)
Quem ouve sem a informação prévia jamais dirá que este é um EP de sobras do disco anterior: a faixa título ou “I Always Fall Apart” estão entre o que de mais emocionalmente envolvente a cantora já gravou, e as quatro músicas (o EP tem ainda uma quinta, ao vivo) são fortes o suficiente para entrarem com folga em qualquer de seus álbuns.

 

08
8) Terepa – Terepa EP (Other People)
Julia Holter, Laurel Halo, Rashad Becker, Lucrecia Dalt, Charlotte Collin e Grégoire Simon juntados numa sala por Kohei Matsunaga para lançar um EP experimental pelo selo de Nicolas Jaar. Um dream team da música moderna gravando “por telepatia”, sem prévios ensaios ou conversas, o ato da criação por via do improviso registrado diretamente em fita.

 

07
7) Rudeboyz – Rudeboyz EP (Goon Club Allstars)
Não fosse por este lançamento, provavelmente ainda não teria ouvido falar em Gqom (ou Gqomu ou Igqom) – uma espécie de House Sul-Africano, com elementos rítmicos locais e batida um tanto mais agressivas – mas na verdade isso pouco importa: independente da proveniência, este EP é um verdadeiro petardo, elevando a bass music ao estado de arte.

 

06
6) Thundercat – The Beyond / Where The Giants Roam (Brainfeeder)
Colaborador constante de Flying Lotus, em 2015 Thundercat participou ainda de dois lançamentos dos mais aclamados (os de Kendrick Lamar e Kamasi Washington), mas é aqui nesse disquinho que seu gênio como compositor e produtor pode ser de fato desfrutado: grooves setentistas (sem aquela eventual poeira) encontram uma sensibilidade harmônica e melódica que nos faz pensar num crossover funk do Steely Dan. Cá entre nós, bem melhor do que o Kendrick.

 

05
5) FKA Twigs – M3LL155X (Young Turks)
Twigs seguindo adiante com seu projeto de RN’B extraterrestre – que já começa a riscar o vidro das divas inalcançáveis do gênero e fermentar o terreno para o crescimento de híbridos (como por exemplo Terepa, que poderia também estar nesta lista) – já com a segurança de um disco consagrado e dois EPs. E parece que ainda está apenas levantando vôo.

 

04
4) Demdike Stare – Testpressing #007 (Modern Love)
Último lançamento desta que é de longe a melhor sequência de EPs da década, quiçá de todos os tempos, aqui a dupla mergulha novamente nas produndezas das batidas e das ambiências fantasmagóricas. Agora é torcer por uma compilação com os sete volumes juntos.

 

03
3) Maxsta – 100 Problems (Rinse)
Para onde sopram os ventos do grime. Seja pela produção, pela interessante inversão de papéis entre arranjos que ilustram e vozes que seguram o ritmo, pelo delivery nos vocais ou pelas letras, este é provavelmente o melhor lançamento de rap e similares de 2015.

 

02
2) Aphex Twin – Computer Controlled Acoustic Instruments pt 2 (Warp)
A lenda de ser composto por músicas gravadas ao longo de anos, ou de que seria uma espécie de complemento a um disco de 14 anos atrás (“Drukqs”), parece ser incentivada pelo próprio Richard D James – que sempre fez bom uso dos mistérios envolvendo seus lançamentos. Fato é que o que se ouve aqui é um Aphex Twin com um olho no que já fez (especialmente nos anos 90) e outro em possibilidades vindouras, e cujo conjunto das músicas fazem deste uma audição mais concisa (ou com menos espaço para divagações) do que seu último disco.

 

01
1) J.G. Biberkopf – Ecologies (Knife)
Difícil não pensar em um termo como “cinemático” para descrever este EP – não por soar como uma trilha sonora, mas pela capacidade de evocar imagens, paisagens, uma espécie de parnasianismo digital – a natureza processada pela linguagem dos computadores, mediada pelas redes sociais. Música que ainda não encontra muitos pares por aí.
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